Publicado por: estrelasnaparede | Dezembro 11, 2007

pai

Acho que nunca ponderei e pensei verdadeiramente sobre o meu pai. Nascido também a 20 de Setembro, com o mesmo temperamento emotivo e apaixonante que eu, com os mesmos ataques de loucura, com o mesmo amor à arte e à diferença.
A minha mãe conta que foi ele que me quis que eu me chamasse de Marta, por causa da filha do Júlio Resende, e que tinha medo de me pegar ao colo.
Lembro-me do meu pai desenhar para mim, para eu pintar, lembro-me de ele me levar a passear para tudo que era sítio, lembro-me de quando cresci e a certa altura senti que nos perdíamos nos nossos feitios e nos nossos problemas. Mas sempre adorei aquela pessoa que quando se chateava com o trabalho dizia que “uma bomba no carro deles é que resolvia tudo” ou quando dizia “Esta merda (o país) precisava de ser fechado, faziam as obras todas e depois voltávamos!” ou quando diz que quer tirar os calções de banho na praia e correr nu e gritar que é livre. Sim, adoro-o por estas loucuras e por estas excentricidades e por saber que conseguiu ultrapassar coisas tão complicadas e crescer incrivelmente. Sim, todos temos defeitos e ele também os tem. Mas mesmo quando me diz que eu sou esta ou aquela por não ter entregado um papel mais cedo, ou um recibo qualquer, também o diz com amor e com carinho.

Às vezes gostava de ter todo o tempo do mundo para te explicar tudo o que faço e tudo o que gosto, gostava de te explicar porque é que não fui para Soares dos Reis, porque é que teimei contigo para ir ao concerto dos The gift, porque é que te gritei, porque é que te desiludi na mais pequena coisa, foi tudo porque me sempre ensinaste que ser inteligente e o mais complicada às vezes também era o melhor, não nos deixarmos levar e viver.

E eu vivi muito. E adoro tantas coisas que sei que no fundo, no fundo, vêm das tuas influências, dos teus livros, dos teus vídeos, sim porque não me esqueço de quando brincavas comigo aos programas de televisão com cenários e tudo, não me esqueço de quando me levavas às livrarias e de quando me mostravas os quadros. Lembro-me de irmos a Lisboa e de no museu militar dizeres ao pé duma armadura ou dum boneco  “Vês? Eu usei isto!” e eu pensar “Fogo o meu pai é mesmo fixe!”.  Também me lembro quando disseste que eu tinha muita sorte em te ter, assim com defeitos e virtudes mas que te tinha e isso era importante, porque tu não tiveste e pensavas que eu estava a dormir. Mas eu não estava, aí abri bem os olhos.

Gostava de te poder explicar e mostrar mais o quanto és importante para mim e o vais continuar a ser. O quanto aprecio e respeito todo o teu esforço para me ajudares nesta etapa importante. Gostava de não te desiludir e gostava que tivesses sempre aí, ali, para mim, para quem és tudo.

Sim, caem-me umas lágrimas, sou lamechas, mas tinha que dar este mimo ao meu pai.

Uma coisa transcendente, sim, qualquer coisa que não se explica, é o que eu sinto por ti, Zé!

Mas que fique bem claro que às vezes me pões os nervos em franja por não saberes mexer no computador!

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Responses

  1. Posso ser teu pai?


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