Publicado por: estrelasnaparede | Agosto 20, 2008

as bandas sonoras viajantes

Hoje fui com os meus pais passear ao Gerês, de mp3 carregadinho para a viagem que começou logo bem cedo. Tenho por hábito, desde que começei a ter uns gostos musicais mais independentes (aka desde que os meus pais me deram um walkman e eu gravava cassetes com músicas dos Backstreet Boys) levo sempre música para as viagens e fico sempre com músicas associadas a locais. Começei com Madonna e o novo albúm, que me relembrou mais uma vez entusiasticamente, os (poucos) dias que faltam para o concerto e que me lembrou que para aquela viagem eu tinha algo para ouvir que me fazia lembrar, para além do Gerês, muitas outras aventuras por aquele local tão fantástico, o tão é carregado, ok?

Do ínicio e voltando atrás no tempo, para o tempo (5º ou 6º ano) em que eu me deixei influenciar por uma colega de turma e me inscrevi no maravilhoso Clube do Ar Livre, da minha escola (Augusto Gil no Porto). O Clube do Ar Livre é talvez uma das melhores invenções em actividades extra-curriculares para o ensino básico.
Este clube, onde estavam inscritos alunos de quase todas as turmas e de todos os anos, tinha como objectivo promover actividades ao ar livre, mas de uma forma especial, como que cada visita ou viagem fosse diferente. Todos os meses, havia uma visita/passeio/viagem em que os alunos e alguns professores, iam até determinado ponto numa determinada serra e caminhavam o dia todo até a um ponto final, que culminava quase sempre numa aldeia de importância dessa serra que estavamos a visitar.
Quando saía o “cartaz” da viagem a uma segunda-feira, era ver a malta toda de volta do cartaz a ver se podia ir ou não a pensar se tinha aquele almoço chato com a familia ou a festa de anos de alguém, mas o certo é que as vagas eram poucas e por 500 escudos ou 1000 escudos e às vezes de graça, num dia ficavamos sem lugar. Os dias anteriores eram passados a tentar saber quem é que ia ou não ia à visita, a pedinchar a merenda a mãe, etc. Chegavamos a sábado e lá iamos. Com as mochilas carregadas, de calçado confortável e dependendo do tempo, ou cheios de roupa ou cheios de protector solar.
Foi nessas viagens que criei amizades, que aprendi imensas coisas, que criei o gosto pelo ar livre, pelo sol, pelas árvores, pelos cantos escondidos nas serras com lagoas, cascatas e ribeiras. Lembro-me das primeiras viagens, das aventuras, das fotografias, do primeiro telemóvel que se levou, das coisas típicas, dos professores a explicarem que planta era aquela, dos professores a triparem (mas sempre muito pouco), do “relatório” e da famosa quote “Quem é o maior? O stôr Jorge ou o Pinto da Costa?” com uma resposta nada fácil.
Podia escrever um livro ou dois de todos aqueles sábados que fui, sempre munida de saquinhos plásticos para me revirar toda nas curvas (LOL), com as bolachinhas, com as minhas sapatilhas de combate, com o meu walkman com músicas fantásticas…

Lembro-me perfeitamente de ir ao Gerês, no Outono, de começarmos a caminhada num dos pontos e andarmos, andarmos andarmos, sempre a calcar as folhas castanhas, vermelhas e amarelas das árvores, de estar debaixo da copa de outras árvores, olhar para todo o lado e sentir o ar puro, de me sentir noutro mundo, diferente da cidade, diferente de tudo. E durante as caminhadas ou falavamos uns com os outros, ou aproveitavamos para estarmos caladinhos para não nos cansarmos tanto. Mas no Gerês e lembro-me tão bem, eu ouvi “Jagged Little Pill” da Alanis. E não podendo precisar agora a música, achava e acho que se encaixava perfeitamente ali, a voz dela e a música, naquele local tão fantástico.

Tenho saudades. Muitas, imensas! De ir, muitas vezes para fora, para o meio do nada, caminhar e caminhar. Mas hoje o que parecia uma actividade importante, torna-se algo mesmo mesmo mesmo importante, porque aprendi imensas coisas, vivi e cresci imenso. No meio disto tudo, a Joana ainda ficou mais “apanhada” que todos nós, já que licenciou-se em Engenharia do Ambiente e é a ambientalista feroz da minha vida. E estou grata a todos os que encontrei nas viagens!

Soajo

Hoje que voltei ao Gerês, lembrava-me de cada sítio e percebia a grandeza daquele clube extra curricular na minha vida. E admirei ainda mais a beleza daquele local, verde, grandioso, imponente, silencioso, mágico, vivo, muito verde, forte e fantástico. Aconselho a todos a visitarem, basta irem até Braga e depois seguirem para o Gerês, um mapa é importante visto que é um local tão vasto que tem imensas possibilidades de exploração.

Mais ainda, levem o farnel, uns bons sapatos, máquina fotográfica e se puderem na viagem levem a Alanis. Eu acho que encaixa perfeitamente!

Amanhã que venha o sol!
Beijo!


Responses

  1. Oh gaja, só tu para me lembrares de cada coisa. Também fiz parte do clube do Ar Livre da minha escola, muito melhor que o insosso clube do Ambiente. :p

    Sei que fiz três visitas, mas só me lembro bem de uma, que foi à Serra da Freita. Eram dias espectaculares esses. E se todos os relatórios fossem como aqueles… Se bem que a minha banda sonora da altura devia passar por Spice Girls ou assim (shame on me!).

  2. E como eram deslumbrantes os sítios por onde passávamos… tenho saudades disso! Por onde andará o Prof. Jorge?!
    Beijinho

    Ricardo Cleto


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